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Benditos bebês!
Destaque

14 Julho 2015
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Sento na calçada e coloco meus pés na grama. A sensação de poder fazer isso logo de manhã é acolhedora. Na minha frente estão três crianças. Duas delas são tão pequenas que mal conseguem segurar os brinquedos que jogam de um lado para o outro. A terceira criança é um pouco maior. Ela parece achar graça da brincadeira dos outros dois. Mas não de uma forma debochada. Se diverte.

As duas crianças menores brincam de algo que consiste em jogar a bola de um lado para o outro. Quando um cai, o outro espera o amigo levantar e quando ele levanta os dois pulam e fazem “Eeee”. Algum adulto deve ter ensinado, para que eles não chorem ao cair. Mas fica tão, tão mais genuino quando as crianças fazem. Dizem, sem dizer nada. Dizem: Estou com você.

Em alguns momentos, alguma criança quer segurar a bola por mais tempo. O outro se zanga. Cruza os braços, sai de perto ou tenta tomar a bola. O conflito se arma por segundos. E também em segundo eles fazem as pazes. Jogando a bola para o alto, fazendo ‘Eeee” ou simplesmente dando a bola para o amigo que está triste. E por segundos, também segundos, eu acho a vida tão simples. Eu acho meus problemas tão simples de resolver. A bola não é minha afinal. Na vida dos adultos, ninguém é realmente o dono da bola.

Volto a realidade. A terceira criança, a mais velha, pega umas pipas. Quer fazer uma rabiola. Os pequenos não sabem fazer isso. Não fazem nem ideia do que seja. Eles usam a pipa como um avião de papel. Aprendem o significado de resignificar. E me jogam esse conceito na cara também. Bem quando eu achava que não ia mais pensar nada.

Penso. Penso novamente. Você já viu como as pessoas olham para os bebês? Na rua, no ônibus, nas lojas? Elas estão interessadas. Elas estão animadas. É como se, só assim, olhando para uma pessoinha tão pequena, é que se deêm conta do milagre da vida. Da essência das pessoas.

As três crianças continuam brincando. Pegando formigas na mão e as admirando. Como pode uma coisa tão pequena como essa ter vida? “Será que ela pensa?” Pergunta a criança mais velha para mim”. Eu não faço que sim nem que não. “O que você acha?” Pergunto depois de um tempo. “Acho que tudo pensa.” Ele responde, passando a formiga de uma mão para a outra.

Volto para o meu devaneio. A criança para o dela. E a formiga, provavelmente também.

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Juane Vaillant

Juane não é do tipo organizada e assume. Apesar de escrever quase todo dia sobre quase tudo que acontece, ela muitas vezes esquece de colocar online e, quando faz, esquece de divulgar. Escrever um blog com a amiga Isabella, que saca muito disso tudo, foi para ela uma ideia que não podia ter vindo em melhor hora. Juane é formada em Rádio e TV para a Faesa, cursou Teatro na FAFI, faz parte do coletivo de produção e articulação cultural Assédio Coletivo e é apaixonada por tudo que envolva arte e cultura, de atuação a edição de vídeo. Embora sua grande dedicação seja escrever. Contos, fanfics, artigos, poemas, roteiros. Apenas escrever. Juane gosta de se definir como uma pessoa vermelha. Leonina, intensa, Grifinória, calorosa e com fortes tendencias comunistas. Mas não se avexe não, dê uma olhada em seus textos e verá que é muito fácil entendê-la.

Website.: stressprodutivo.blogspot.com.br/

O Boas de Prosa nasceu em 2014 a partir do desejo de duas amigas de publicarem seus contos, crônicas e qualquer outra tentativa poética em forma de prosa. Juane Vaillant e Isabella Mariano são as autoras do blog que é atualizado com um novo texto sempre às terças e sextas-feiras.